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CENÁRIO ECONÔMICO MENSAL FIESP | FEVEREIRO/2026

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    sinbevidros
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura


Síntese do cenário

 O ambiente econômico permanece marcado por elevada volatilidade internacional e, no Brasil, por moderação da atividade. No plano doméstico, o fator mais restritivo segue sendo a taxa SELIC em patamar elevado, que tem afetado significativamente o desempenho industrial.


 

1) Cenário global


    As projeções indicam crescimento mundial ao redor de 3,3% em 2026, com a Zona do Euro em recuperação gradual (1,3%) e a China desacelerando (4,5%) em razão da fraqueza da demanda doméstica. Nos EUA, a economia permanece resiliente (2,4%), em um contexto de desvalorização global do dólar. Observam-se, contudo, sinais de moderação no mercado de trabalho.


    A Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas globais impostas com base em poderes de emergência (20/02/2026), e a Casa Branca as substituiu por uma sobretaxa uniforme (10%) e temporária sobre importações (até 150 dias). A medida tende a reduzir a pressão inflacionária, especialmente sobre alimentos, abrindo espaço para redução da taxa de juros. Para o Brasil, contribui para uma possível aceleração do corte da taxa de juros e melhora da posição relativa com queda da tarifa média efetiva sobre exportações. Entretanto, permanece a incerteza sobre novas medidas e investigações comerciais nos EUA.

 


2) Brasil: atividade e centralidade da SELIC


  Em 2025, a atividade foi forte e o mercado seguiu aquecido, apesar dos juros elevados. O crescimento foi puxado por setores menos sensíveis aos juros e voltados para exportação, com destaque para Agropecuária (+12,2%) e Indústria Extrativa (+8,3%). Em contraste, a Indústria de Transformação (-0,1%) e a Construção (+1,4%) apresentaram desempenho mais fraco, evidenciando maior sensibilidade aos juros.

    A SELIC em 15,00% a.a. pesou sobre a atividade em 2025. Apesar da perspectiva de queda, a taxa projetada ao fim de 2026 (12,13% — Focus) sugere apenas melhora gradual das condições para investimento, crédito e produção industrial, e não uma inflexão imediata.



3) Indústria de Transformação em 2025


    A indústria apresentou baixo dinamismo em 2025, com crescimento concentrado no início do ano e desaceleração mais disseminada ao longo do período. Além das taxas de juros elevadas, as tarifas impostas pelos EUA afetaram significativamente a Indústria de Transformação, ampliando as pressões sobre o setor.

       Destaca-se retração tanto em Bens de Capital quanto em Bens de Consumo Semi e Não Duráveis, sendo a queda em bens de capital explicada em grande medida pelo recuo na produção de equipamentos de transporte.


 

4) Perspectiva para 2026

  A dinâmica da atividade em 2026 deve refletir a interação entre vetores impulsionadores (setores menos sensíveis aos juros, medidas de estímulo do governo federal e mercado de trabalho ainda aquecido) e freios/riscos (juros ainda elevados, incerteza fiscal, tensões geopolíticas e desaceleração da China).

    No campo fiscal, o relatório chama atenção para a discussão de necessidade de ajuste nas contas públicas diante da persistência de déficits persistentes e aumento insustentável da dívida pública.




Fonte: FIESP

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