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A Saúde Mental e a Pandemia de COVID-19


Boletim Sustentabilidade FIESP por Alberto Ogata





Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor




Durante a vida adulta, passamos a maior parte do tempo que estamos acordados envolvidos com nossas atividades profissionais. É nesse contexto que vivemos muitas experiências, interagimos com outras pessoas, sofremos stress e temos também momentos de satisfação.


Desde o início da pandemia de COVID-19, além das questões de vacinação, testagem, tratamento, isolamento social, perdas econômicas somam-se as questões relacionadas à saúde mental. Há o risco de agravamento de doenças mentais e emocionais, maiores níveis de estresse e de comportamentos não saudáveis (como uso abusivo do álcool e drogas).


Certamente, a maioria das pessoas são resilientes e conseguem se ajustar e enfrentar os desafios. No entanto, algumas pessoas podem ser mais vulneráveis, como aquelas que adquiriram a infecção por COVID-19, as que tem alguma condição emocional prévia ou aquelas que vivem em condições socioeconômicas desfavoráveis.


O isolamento social, o trabalho em casa e a necessidade de quarentena podem trazer efeitos que podem exigir suporte e apoio, como a insônia, a depressão, irritabilidade, sensação de frustação, tédio e aborrecimento. Além disso, a perda de pessoas próximas pelo COVID-19 pode trazer o luto e o estresse pós-traumático. Há relatos de aumento de violência doméstica em locais onde é necessário o confinamento para reduzir as taxas de contaminação.


Uma pesquisa realizada em 2020 por pesquisadores brasileiros coordenado pela professora Marilisa Barros da UNiCAMP com 45.161 brasileiros revelou que, durante a pandemia, 40,4% relataram estar mais frequentemente tristes ou deprimidos , 52,6% ansiosos ou nervosos, e 43,5% relataram problemas do sono.


As empresas precisam elaborar programas e estratégias para o suporte psicossocial, o encaminhamento dos casos que exigem tratamento especializado e o acompanhamento constante, visando evitar as consequências do adoecimento mental na força de trabalho.

Além disso, é importante buscar manter as condições psicossociais do ambiente de trabalho, buscando evitar situações de sobrecargas, estimular o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, oferecer boas condições de trabalho e combater todas as condições de assédio.


As pessoas que têm que lidar com desafios relacionados à saúde mental e ao bem-estar tem maiores riscos de problemas físicos como dores musculares, enxaquecas, alergias, problemas gastrointestinais, por exemplo. Lembramos que muitas pessoas são portadoras de outras condições crônicas como hipertensão arterial, obesidade, diabetes, câncer que precisam ser cuidadas pois há impactos individuais e para as empresas (em faltas ao trabalho, acidentes, custos no plano de saúde e aposentadorias precoces).


Neste contexto, precisamos evitar a “tempestade perfeita”, ou seja, uma força de trabalho envelhecida, com problemas crônicos de saúde agravados pelas doenças mentais.

As empresas precisam buscar manter uma cultura de saúde, com canais de comunicação onde os trabalhadores podem se expressar e buscar ter um ambiente de trabalho saudável, inclusive apoiando-os a lidar bem com os desafios e novas responsabilidades domésticas.


Sabemos que a reação das pessoas depende de vários fatores, inclusive a idade. As empresas que possuem várias gerações em sua força de trabalho devem elaborar estratégias para cada grupo. Por exemplo, profissionais com mais idade podem ter dificuldades em lidar com a tecnologia, enquanto as pessoas mais jovens podem ter filhos pequenos ou compartilham o seu espaço de trabalho com outras pessoas na família.


O primeiro passo é reconhecer que a questão da saúde mental é importante para as empresas e as pessoas. A partir daí, o tema tem que ser discutido e incluído na agenda das lideranças das empresas, em todos os níveis e não ficar restrito aos profissionais de saúde. Gerenciar e apoiar a saúde mental das pessoas no trabalho é um desafio crítico e crescente para os empregadores.


A maioria das pessoas será afetada de alguma forma por problemas de saúde mental, seja pessoalmente ou por meio da família e amigos, portanto, a saúde mental é um problema para todas as organizações no nosso país.


A saúde mental precisa ser incluída como um risco importante na abordagem ESG (“environment, social, governance”) utilizada por muitas empresas onde, cada vez mais o pilar social (“S”) passa a ser relevante como um fator de desempenho das companhias e isso tem sido valorizado pelos investidores no mundo todo. Ela permeia as crescentes discussões sobre a incorporação de novas tecnologias, a produtividade, o emprego e salário e a segurança no trabalho.


Com abordagens estratégicas e integradas é possível construir uma força de trabalho saudável que seja resiliente, criativa, colaborativa, engajada, motivada e produtiva.




* Alberto J. N. Ogata é diretor titular adjunto do Comitê de Responsabilidade Social da FIESP, médico, presidente da Associação Internacional de Promoção da Saúde no Local de Trabalho – IAWHP e professor de Mestrado Profissional – Gestão da Competitividade – Fundação Getulio Vargas – FGV/SP.


Fonte: https://www.fiesp.com.br/indices-pesquisas-e-publicacoes/artigo-saude-mental/


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